
Afinal sempre há golfinhos no Tejo
No passado dia 17 de Janeiro algumas pessoas que passeavam pela margem sul do Tejo puderam observar, estupefactas, um grupo de mais de uma dezena de golfinhos dirigindo-se de montante para jusante. Há cerca de um mês o Comandante Luís Costa, o mestre Hélder Pedro e o motorista António Santos, da embarcação “Ponta do Garajau”, pertencente à empresa de reboques “Resistência”, relataram semelhante avistamento. Já em 2008 um mestre da Transtejo confirmava também que desde há meia dúzia de anos a esta parte, têm aparecido grupos de golfinhos e que quando fazia a carreira do Montijo os avistava com regularidade entre Junho e Julho, por ser normalmente nesta altura que o peixe vem fazer a desova ao estuário e os golfinhos aproveitam para procurar alimento. Ao que parece esta espécie dada como desaparecida do Tejo na década de sessenta do século passado, decidiu agora voltar.
Investigadores portugueses consideram que já existem condições para o repovoamento do estuário por estes mamíferos marinhos, que têm sido vistos com mais frequência na costa do Estoril. O Estuário do Tejo poderá voltar a ter colónias de golfinhos nos próximos 30 anos devido à diminuição da poluição que se tem verificado.
Segundo Maria José Costa, do Instituto de Oceanografia, que começou a estudar o Tejo em 1977. “A poluição no Tejo tem melhorado muito, o que se constata pela observação das espécies sensíveis”, referindo-se ao aumento da quantidade de caranguejos, minhocas da pesca e bivalves. A adopção do sistema de ETAR, a deslocalização de algumas fábricas mais poluentes, bem como, uma maior consciência ambiental traduzida nas medidas de segurança implementadas pela Administração do Porto de Lisboa para uma navegação mais segura e não poluente dentro e fora do estuário, podem explicar a diminuição da poluição.